sábado, 17 de fevereiro de 2007

AMOR LÓGICO

Ah, finalmente!
Entre.
A porta está aberta, só para você.
Te esperava a minha sede.

(Ouviu calmamente tudo,
deu meia-volta
e saiu.)

(Fabio Rocha)

META-FORA

Dançando o que sempre acaba
querendo que não se acabasse
passa-se da paixão à posse
e da arte de cantar à tosse.

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

RECEITA PARA EVITAR QUE EVITES

sentir a fundo
cada tudo
que fingimos controlar
aceitando mudo e gritando
a certeza que não há

(Fabio Rocha)

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"Sim, tal como Lorde Henry profetizara, a vida seria um dia recriado por um novo hedonismo, libertando-a do hediondo e brutal puritanismo que, nos nossos dias, conhecera um curioso renascimento. Este novo hedonismo não recusaria a contribuição da inteligência, mas rejeitaria toda teoria, todo sistema que evoque, de uma forma ou outra, o sacrifício da experiência passional."

Oscar Wilde - Do livro "O Retrato de Dorian Grey" (Os grandes clássicos, Otto Pierre editores, 1979, p. 200)

VIDA (AINDA) BESTA

As pessoas na sala de jantar
mudam de cor conforme a tela
e eu mesmo me vejo ali
participando da mesma novela.

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

SONHO

No fundo, a voz de Tim Maia: "Você é algo assim, é tudo pra mim, é mais que eu esperava, baby" E num dia sem sol uma câmera em algum plano astral percorria tristemente ruas parecidas com a do bairro de Cachambi no Rio de Janeiro, passando pelo Vasco, mostrando crianças brincando de ser livres, velhinhas tentando as controlar nervosamente, pessoas correndo, ora se assustando com a câmera, como se fosse atropelá-las... Não lembro bem, mas aposto que chovia. "Sou feliz agora. Não, não vá embora"... Triste, triste o filme de meu sonho.

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

PENDULAR

o calor da batalha
o clamor da vitória
o terror do marasmo

(Fabio Rocha)

domingo, 21 de janeiro de 2007

CERES

Seres nata
do meu leito longe
da sede, leite primata
da fome, fonte...

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

CITAI E VIGIAI

"O valor de uma pessoa não está nela própria, mas no que modifica em outras." - Fabio Rocha

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

AVE ÁVIDA É A VIDA

Um poema forço
já que a vida é boa
e na madrugada
vai buscar o sono:
um poema torço.

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

CONVERSA COM O FILHO INVISÍVEL

- Pai, por que as pessoas são tristes?
- Porque estão presas e nem conseguem ver suas gaiolas.
- Eu tentaria fugir...
- Demore a crescer, sim? De preferência, a vida toda.

(Fabio Rocha)

domingo, 7 de janeiro de 2007

POTÊNCIA É MAIS QUE PODER

Para Nietzsche e Amauri Ferreira

Brilha o chão deste apartamento
e ruge uma tempestade frondosa através das persianas
com meu querer.

Leio, releio e transleio:
o devir me sorri
(martelo na mão).

Não preciso das drogas
que um salário me proporcionaria
para esquecer o que não sou:
Eu Sou!

Não há mais para onde escapar
de mim
de minha vontade gigante
imaterial e singular
de superar e destruir
para mudar o mundo.

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

EVOLUTION

(A la Nietzsche)

1 - A verdade está lá fora.
2 - A verdade está dentro de nós.
3 - A verdade não existe.

(Fabio Rocha)

TELAS

meu coração é uma pedra
pulsante e forte
querendo mais e mais
janelas

(Fabio Rocha)

CERTEZA

Enquanto Ter for mais que Ser
não adianta gritar éticas
buscar prazeres duradouros
criticar violências escondido atrás de grades e muros
pregar igualdades...

A fome em negrito
só incomoda se for no seu estômago, logo acima do umbigo
(enquanto Ter for mais que Ser).

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

IMPACIÊNCIA

Paciência

Não há pressa na poesia. Não pode haver.
É preciso paciência. Não se faz poesia no metrô.
Ela requer calma. Dedos de artesão no mar.

(José Rocha, livro "O verbo por quem sofre de verborragia")



E agora, José?
Não há tempo para paciência!
Uma criança morre de fome a cada 3 segundos!
Escrevo poemas sem nem poder respirar fundo
mas escrevo (com sangue) poemas
com a força de minha impaciência
para com a ciência
sistematizando metodicamente até
como fazer poemas, José.

(Fabio Rocha)