domingo, 10 de setembro de 2006

ESCOLHER

À nuvem charmosa e diversa
que zumbe depressa
em torno de versos
prefiro
o um.

O um maior que o todo.

Não
não sou eu
meu eu-lírico.

(Sou mais
ou menos).

Prefiro a sinceridade
do hoje
às promessas de amanhã.

Prefiro a realidade
do sorriso único
à todas as libertarieades.

Prefiro o presente!

Escolho
não só por mim
mas também assim
porque amor.

(Fabio Rocha)

sábado, 9 de setembro de 2006

DA POLÍTICA NOSSA DE CADA DIA

Como é fácil
ser honesto
quando a propina é baixa...

(Fabio Rocha)

SÓCRATES ESTAVA CERTO

Eu não sei mais nada.

Não me perguntem porra nenhuma.

Estou aqui.

Você está aí.

E nada pode mudar
o espaço intransponível
que separa eu de mim
e você de você.

Imagine entre nós...

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

PEDAÇO DO HINO NACIONAL

nossos postos de gasolina
vendem álcool para carros e pessoas
ó patriamada idolatrada salvesalve

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

PERSPECTIVA

quanto mais alto vôo
melhor percebo
a gaiola

(Fabio Rocha)

SEM MAIS

concedo à folha
o silêncio
que concebo

(Fabio Rocha)

BATALHÃO DE CHOQUE

preciso achar um tempo
no meio do tiroteio
pra falar daquelas flores
daquelas flores caídas
daquelas flores abertas
nas calçadas da favela
colorindo rosa-choque

(sim, apesar de tudo, é primavera)

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

PAZ: A CHEGADA

A luz faz
muito silêncio
mas
a escuridão traz
revoluções e incêndios.

A luz celestial templária faz
ascensão de almas inexistentes
num céu de anjos tortos
e deuses julgadores mortos.

No entanto,
sozinho
no silêncio da luz da casa simples
além do tempo crono-lógico
a escuridão crepitante brilha
(perdida e recuperada).

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

ESTRELA DO CÉU DA BOCA

É tarde...

Lá fora as horas passam
no escuro.

Dentro em mim um anjo puro
deixa tudo claro.

(Fabio Rocha)

DESISTIDOS TÍTULOS

Vende 7 selos
grita no vermelho
sente o teu silêncio...

Sente o teu silêncio
olha quem vem nele
pára de correr.

Sente teu silêncio
no banco da pressa
olha o que se passa
natureza morta.

Sobe o teu olhar
sabe o teu olhar
sábio teu olhar
pra dentro.

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

(ME)

amaldiçoo o silêncio
que me leva a
(me) criar

(Fabio Rocha)

MICROHIPOCRISIA

eu não vivo de comer alface
pelo bem dos animais
porque as planárias
também têm ideais

(Fabio Rocha)

DA INTERPRETAÇÃO DO SONHO

Era eu num barco.

Ao lado, uma baleia preta
enorme como meu desejo.

Cientistas tentavam
contê-la, entendê-la, estudá-la.

Eu a admirava.

E ela mergulhou
livre
se foi lentamente.

Virou noite
e uma mulher sem rosto me disse
que as baleias, antigamente
eram livres pra nadar nas estrelas.

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 16 de agosto de 2006