sábado, 20 de fevereiro de 2010

SORRISO MÚTUO DE CUMPLICIDADE

(Para Edson Marques)

sou eu e o céu novamente
o mesmo céu
o mesmo eu
ambos diferentes

(Fabio Rocha)



Cena que me inspirará para sempre... Não deixem de ver (e ouvir).

O filme é "Minha amada imortal", sobre Beethoven. Nesta cena, ele já está velho e surdo (parece que ficou surdo também de tanto apanhar na cabeça, do seu próprio pai), e o diretor tenta mostrar uma versão do que teria inspirado esse gênio a compor a Nona Sinfonia (que toca ao fundo a cena toda - a Ode a alegria). Há uma mistura linda do Beethoven velho e surdo imaginando sua própria obra sendo tocada, sem poder ouvi-la, e voltando às memórias do que o teria inspirado a compô-la, quando criança. É simplesmente perfeita... Arrepiante.

A Nona Sinfonia de Beethoven é considerada por muitos a maior obra de arte de todos os tempos. Beethoven a ofereceu como pedido de desculpas para a humanidade pelo seu comportamento muitas vezes irado, numa carta. Uma curiosidade: A capacidade de um CD (74 minutos) foi configurada para que desse nele toda a Nona Sinfonia.

12 comentários:

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Lindo poema...encerra um mundo de palavras.

Sonhadora

Fabio Rocha disse...

Obrigado, Sonhadora! Beijos

Canteiro Pessoal disse...

Fábio, ave rara,

Beethoven! Maravilhoso! Lembra-me de um filme: O Segredo de Beethoven.

-O que foi? Não entendo maestro. Onde o movimento termina?

-Ele não termina. Ele flui. Pare de pensar em termos de início e fim. Não é uma ponte do seu homem de ferro. É algo vivo. Como nuvens em formação ou a mudança das marés.

-Como funciona musicalmente?

-Não funciona. Cresce. Veja: O 1º movimento se torn ao 2º. A cada ideia que morre, uma nova nasce. Na sua música está obcecada pela estrutura e pela forma correta. Precisa ouvir a voz dentro de você. Pois só consegui me ouvir depois de surdo. Mas não desejo que fique surda, minha cara.

-Devo achar o silêncio em mim para ouvir a música?

-Sim. O silêncio é fundamental. O silêncio entre as notas. Quando esse silêncio a envolver, então, sua alma poderá cantar. Minha cara, tens consciência do que significa pra mim? Nesses anos, vivi com medo de estar sozinho. Como um homem numa prisão, até que o criador a enviou, e eu lhe passei as notas através das grades. Você é a chave da minha soltura.

-Em que tom começa?

-Sem tom!

-Sem tom?

-Não pode escrever música sem tom.-A única maneira de escrever isso é sem armadura.

Vaso precioso,

obrigada pelo post, pois me faz voltar ao baú. E [re]lembrar que o escrito, partitura de movimento é sem tom, em que o sangue dança no papel e na retina.

Paz,
Priscila Cáliga

Fabio Rocha disse...

Pri Cáliga, rara ave, que filmão! Bom demais reler essa cena!! Beijos

Canteiro Pessoal disse...

Fábio,

é grito na mera mortal e por trilho racional que asfixia. Da busca em compasso ligado no descartilhado e desregrado. O violino, semínimas. Dó central, sobindo para lá. Anotando o tom a começar. Um hino à flor da pele, não poupando a ação do amor na ossada. E crescendo, ganhar força. A voz delicada, pairando acima pela graça. Sim! Crescendo, multiplicando no profundo e a superfície bradar sem armadura, pois a epiderme é o som que se ouve em tinta na tela. Sentindo-se quente e abraçada. As nuvens se abrindo no improvável. Mãos amorosas estendendo para a valsa, e que elevam-se os céus e os anjos se silenciam para escutar os passos no salão. O cello por ficar preso ao território não por instantes, mas no qual se pode viver para sempre. O tempo é eterno. Ah, sempre o perder e o encontrar por parte do vento em cenas de um filme colorido. O ler encontral como quem adia o fim de um livro. A leveza na palma das mãos que guarda calor da data e local, num ativar na memória o arrepio delicioso do afeto e as frases onde encontra e deixa comovida. Lugares atuando o despertar do particular e o deliciar do artista pela demora nas entrelinhas, rapidamente o acenar do sorriso entreaberto nos lábios. O ser encontrada denotando letras tatuadas no livro da memória ao recanto especial; tal sentido nas curvas de um parágrafo como sabor vindouro dos próximos capítulos. Espiar tão operante que procria cartas, bilhetes e fotos; sorrisos e braços no cruzamento da história que se encontra. Sublinhar de palavras que apontam o caminho por dentro do ser íntimo. Dobrar páginas para não esquecer o ler andado, no intuito ao grafite pelos próprios dedos. Suave encontro [ar] que decodifica predicados podres na alma e coração substantivo, mas ao ler pretérito atuar demorado e perfeito. Tal caminhar desenhando um esboço que não apaga do eu-sou, sou-eu o que não consegue esquecer. Visão inerte viajando por um lugar inexplicável que toca a face e paralisa agradavelmente o eu tanto confuso, assim evitando a última palavra, a derradeira página com jeito bailante de ponto final. Multiplicando pretextos para que os caracteres não se esgotem, pois as formalidades vão de tudo, segundo a segundo, como uma grande estréia. Mas, deixando-se embalar pelo som do mar. Sobre a areia que conhece todos os segredos.

psicografo,
Priscila Cáliga

Bem, agora vou indo, até o próximo pouso.

Paz Ave Rara!

Fabio Rocha disse...

8-0

Ricardo Mainieri disse...

Nós, poetas, de certa forma musicamos as linhas em branco...
Mesmo sem rimas , o poema evoca musicalidade.
Mesmo surdo, Beethoven, compôs esta genialidade.
Obrigado pela visita.

Abraço.

Ricardo Mainieri

Fabio Rocha disse...

Oi, Ricardo, eu que te agradeço, amigo. Abração

Anônimo disse...

Fábio,

Este foi magistral!

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Acordou-me este:

"Sou sempre eu mesma,
mas com certeza não serei a mesma pra sempre." [Clarice Lispector]

Beijos... [Agora vamos à música!]
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Katyuscia

Fabio Rocha disse...

Que demais, Ka! Tudo a evr com esse da Clarice. Eu também achei dos meus melhores poemas recentes esse! Que bom você ter gostado!! :) Olha só essa cena e essa música...

Anônimo disse...

Fábio,

Arrepiada com toda a cena, especialmente com a parte do lago.
Tinha de te vir agradecer por este momento, pela dica e pela leitura das tuas impressões aqui.
Já está na lista dos filmes que brevemente verei.

Um beijo.
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Katyuscia

Fabio Rocha disse...

Ô, Ka, que delícia saber que também te tocou assim! Esse é dos melhores filmes que já vi, e a música é a melhor que já ouvi... E essa, achei a melhor cena do filme todo. Espero que não estrague a surpresa quando vir o filme todo... :) Ah, se curtir, "O segredo de Beethoven" é mais recente e também muito bom (mas acho o "Minha Amada Imortal" ainda melhor). Beijos felizes