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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

DÉJA VÙ


asas
casas sem telhados 
paz de pássaros
(provisória)

dentro do tempo instante
um poema se repete

este?
este?
este?

escrever é perder-te

( Fabio Rocha )

"(...) entre a Filosofia e a Psicologia reina uma conexão indissolúvel, conexão esta que se deve à inter-relação de seus objetos; em resumo: o objeto da Psicologia é a alma, e o objeto da Filosofia é o mundo.(...)" Jung

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

AGORA VOLTEMOS AO SAGRADO NO SILÊNCIO

apesar da teórica onipotência do deus inexistente
ergo minha mão para o teclado
só para lembrar que esse conto de fadas
só serve realmente ao estúpido degenerado
assassino, depravado
que ao crer no perdão do barbado imaginário
(ou por medo da eternidade queimando)
se torna mais comportado

(Fabio Rocha)


Do "Livro Negro do Cristianismo", que eu mesmo li:

"Na Primeira Epístola aos Coríntios (7, 20-24), Paulo sentencia: "Que cada um fique no estado em que foi chamado. Foste chamado sendo escravo? Não te dê cuidado; mas se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade! Pois aquele que foi chamado no Senhor, mesmo sendo escravo, é um liberto do Senhor; e assim também, o que foi chamado sendo livre, escravo é de Cristo. Por preço fostes comprados; mas vos façais escravos de homens!"
O conceito é repetido em Efésios 6, 5: "Escravos, obedecei aos vossos senhores com devoção e temor, servi com solicitude, como se se tratasse do próprio Senhor, e não de homens".
O que valia para os escravos também valia para as mulheres: "As mulheres sejam submissas a seus maridos como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, aquele que é o salvador de seu corpo. E como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos".11
"Como em todas as comunidades de fiéis, que as mulheres se calem nas assembléias, pois não lhes é permitido falar; que estejam submissas, como diz a lei. Se quiserem aprender algo, que perguntem em casa, a seus maridos, pois não convém a uma mulher falar na assembléia."12 Se os primeiros apóstolos tivessem se comportado assim, as mulheres dificilmente os teriam avisado da ressurreição de Cristo.
E o conceito se repete na Primeira Epístola a Timóteo (2, 11-15): "A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão. Pois não permito que a mulher ensine nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão; salvar-se-á, todavia, dando à luz filhos, se permanecer com sobriedade na fé, na caridade e na santificação, com modéstia."
Paulo, que para outros aspectos considerava a lei judaica superada (por exemplo, as proibições alimentares), no caso das mulheres, abriu uma exceção e retomou hábitos judaicos, como o costume de cobrir a cabeça nas cerimônias.
"O homem não deve cobrir a cabeça, pois é a imagem e glória de Deus; a mulher, em compensação, é a glória do homem. E, de fato, o homem não deriva da mulher, mas a mulher deriva do homem; nem foi o homem criado pela mulher, mas a mulher criada pelo homem. Por isso, a mulher deve usar na cabeça um sinal de sua dependência, por causa dos anjos [...] Julgai entre vós mesmos: é conveniente que uma mulher ore a Deus com a cabeça descoberta? Não vos ensina a própria natureza que é indecoroso para um homem deixar o cabelo crescer, enquanto, para a mulher, o cabelo comprido é uma glória? Pois a cabeleira foi-lhe dada no lugar do véu. Mas se alguém quiser contestar, não temos esse costume, nem as Igrejas de Deus."

sábado, 8 de janeiro de 2011

GUIA PRÁTICO DA SEPARAÇÃO DOLOROSA (A PEDIDOS)

1 - Nunca confie em guias normativos metodicamente elaborados, principalmente numerados;
2 - Teve algo bom, muito bom. Admita e tente se lembrar apenas disso;
3 - Quanto mais doer, melhor você se transformará;
4 - Se tiver raiva, use essa energia para impulsionar sua mudança e expansão;
5 - Se tiver pensamentos obsessivo-racionalizante-analíticos do que deu errado, lembre-se de usá-los apenas para não repetir tudo exatamente igual no próximo relacionamento, sem torturar-se;
6 - Olhando com bons olhos, verá que nada deu errado. Aceite. Entregue. Confie. Abra-se ao que vier;
7 - Curta a fase boa que é estar solteiro, a deliciosa imprevisibilidade das noites de sexta-feira, a liberdade ampliada, as estrelas olhando você caminhando apenas sobre seus dois pés, as infinitas possibilidades se abrindo na estrada adiante;
8 - Experiencie e curta com mais paz seus amigos (se perdeu todos, novos virão...);
9 - Seja seu amigo;
10 - Deixe ir leve o amor, sorrindo pra vida que vem. Tudo - tudo mesmo - muda, flui, passa, morre... E isso é belo!

(Fabio Rocha)

domingo, 10 de outubro de 2010

DA DELÍCIA DA TRANQÜILIDADE INERENTE À CERTEZA DO CAFUNÉ

"Já não sou o mesmo caminho esperando numa demora, horizontes. / Sou só uma vontade boba invadindo o abraço, deixando na boca / um coração que não sabe amar superfícies." (Priscila Rôde)

sobre mim gaivotas anjos
sob mim um chão de giz:
a mesma música
e tão diversos sentimentos
no devir do tempo...

caminho

tanto ar
tanto mar
tanta gente
tanto tanto tudo
que me recuso a olhar pequenezas

duplicidades divinais? santíssimas trindades? quartetos fantásticos?
auto-mantra: yes, I can!

ondas passam

abissais navios inclinam

afundo
pois é no profundo
que respiro

paro de nadar contra mim mesmo:
tudo é uma

relaxo
bóio
Caio

(se na volta a mim
sem ar
nem lembrar mais o que sou
melhor ainda:
sou mais a cada reinvenção!)

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ATRAVÉS DA MULHER

"Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema."

(Cora Coralina)

um passarinho na gaiola
me pensa

a borboleta distraída
por estar distraída
sabe a sabedoria das árvores

sem finais felizes sem lagartas sempre no instante

verde

um riacho me ri
(é raso, Heráclito)

através da mulher
o Ser me brilha tal qual a nona de Beethoven
(confesso fatigado, entre Osho, Raul, Manoel e trocentos desloucos que me soul)

é que através do viés
da curva no tato
me perco em mim, em eu, em tão pouco
que desfaço meu iluminar tão tênue

cresce no peito
a palavra
Minha

combato a sagrada luta de espadas
contra o eu
e mais ainda
contra a unha
da palavra única Minha
só Minha

a palavra Minha
é mínima
e restringe o todo a uma

o todo é um
mas é mais que só
é mais que a soma de tudo
é mais que matemática e contrato

as pessoas são pessoas são pessoas são pessoas são pessoas

no fogo
meu eu se desfaz em musgos e liquens
cada vez que respiro fundo e calo a boca de palavras tais quais essa
cada vez que salto e vôo e vou e Caio

eis que no instante mágico
em que destropecei sem medo de tropeçar
fui sem pensar em ir
boiei em vez de nadar
todas as floras da primavera me abrem
ergo mares íntimos e Netuno molhado se espanta
escrevo dragões com lápis cego
arrisco tudo
tenho epifanias com roseiras
aceito rosa e espinho
ouço a nona
e finjo fingir ser o último mestre do ar

você consegue
neste mundo de peso
vir comigo voar?

(Fabio Rocha)



OBS: Não agüentei os sete dias sem fazer poemas. Nem foi um exercício consciente de contradição... ;)



OBS 2: Quem me fotografou foi Fátima Nascimento, em Atafona, São João da Barra, Rio de Janeiro, onde o mar e o devir vencem o homem e sua mania de perenidade desde os anos 70:





OBS3: Leia se for ciumento. :)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

SALTO

A vida é muito curta
para não ser
PLENA!

(Fabio Rocha)

OBS.: Ins-pirações:

"Se não for agora, quando?" (Edson Marques)

"(...) os filósofos ficam andando em círculos e nunca acertam o alvo, eles ficam apenas sondando. A poesia simplesmente vai direto ao ponto." (Osho, A Harmonia Oculta, São Paulo: Cultrix: 2004. p. 22)

domingo, 4 de julho de 2010

VAGA_ROSA_MENTE

"Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar... Apesar de todas as
conseqüências." (Osho)


quando a vida se abre
nas mais bonitas rosas
(infindáveis rosas)
aparo do peito a prosa
e sinto o silêncio
e sigo o perfume

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 5 de março de 2010

VIVA LA VIDA DE LOS VIVOS

Em minha infância
aprendi a querer mais
sempre mais
de mim, de todos, do mundo, da vida...

(Uma benção e uma maldição, aliás.)

Mas,
considerando-se o número de mortos
achando viver
sem força nem pra tentar
o que acha querer...

Prefiro meu caos.

Ah, mundo mundo
vasto mundo
então o poeta era pouco?

Pois bem,
engula isso:
sou muito mais
(filósofo, artista, funcionário público)
e dentre tantos souls que sou
há um tanque de guerra cinza
(sem drogas, Colheita Feliz ou Jesus Cristo)
que atropela qualquer desafio
quando cisma.

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

L'AMOUR

Um cachorro preto
todo osso
tempo demais
junto
junto
eu chuto, cuspo, expulso:

- Passa! Passa!

Junto
tempo demais
junto...

Arrumo a cama
pra outros dormirem...

E o cachorro junto
de osso preto
de peso morto.

(Fabio Rocha)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

ENCONTRO NOS ARES

querer passar as portas
as janelas tortas
(sombras de asas no telhado)
o passado, porém, forte e duro
colore os pássaros futuros
de morte

(Fabio Rocha)

OBS.: O poema abaixo é outro do meu amigo poeta, feito sob encomenda pra mim. Acho que inspirou um pouco o meu poema acima.

inesquecível, isso que você é.
tento, inútil, passear, olhar para o céu,
e para a areia da praia,
a tentar não ver os teus olhos,
e a tua boca, e a tua história em mim.

a tua boca e os teus olhos
sempre estarão em minha boca e em meus olhos,
estarão circulando dentro das minhas veias,
atrapalhando as batidas desse coração,
que morre lentamente.

viverei anos, para te esquecer,
e no fim, lembrarei de tudo novamente.
a ilusão de beijar outras bocas
de tocar outros corpos,
de me apaixonar, de amar,
estará comigo dia a dia.

essa história não termina, e
não terminou!
você me busca onde não estou,
e me confunde quando na cama
estou com uma qualquer,
que pretendo dizer que amo,
mas no fundo tento amar,
mas você me olha,
enquanto olho para os cabelos
e para o rosto de mais uma,
pensando em como te esquecer.

Mago - jan 2010 - blog

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

MAIS E MAIS BORBOLETRAS

Diga sim à vida; abandone todos os nãos possíveis. - Osho

Estilhaços de traços antigos
espólios de muros ao chão
rebocos
retratos partidos
repartos...

Não!

A vida
a mesma vida
num turbilhão de cores
canta a canção de amores infindos
por cada janela
aberta de flores.

Sim!

(Fabio Rocha)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

POSSO

"Um menino caminha e caminhando chega no muro" - Toquinho (Aquarela)
"All in all it's just another brick in the wall" - Roger Waters (Another Brick in the Wall)

o mar é manso
caminho
passos leves
encosto as mãos
nos muros de sempre

mágico não era o amor de um dia
fora de mim
mas o meu amar que revivia

os muros sempre duros
sempre lá
os muros passados
muros futuros
sem murros
consigo novamente derrubar

caminho sorrindo
a música do silêncio
e a poesia dorme
descoberta

(Fabio Rocha)

sábado, 15 de agosto de 2009

LIBERTAÇÃO

(Para o frei Dino)

Não há exceção.

Por baixo dos panos pretos
que cobrem os abutres
padres freis frades freiras e fracos semelhantes
(essas pedras intermináveis contra a vida)
há sempre um recalcado
um mendicante de intelecto
com uma fé titubeante
desde que a Terra perdeu o centro do universo,
desde que milhões morreram em suas guerras por um Deus que não responde,
desde que milhares foram queimados em fogueiras sem motivo
(como meu estômago vermelho de úlcera e cólera).

Este recalcado, fraco e covarde ser
passa boa parte de seu não-viver
querendo cagar regras medonhas
sobre dogmas antigos
para acéfalos inúmeros.

Enquanto estava distante
já abominava
(ruminante, mas calmamente)
monografias afora,
apesar dos quase abusos sexuais contra familiares.

Porém, perto...

Perto...

Perto demais...

Perto,
quando da ocasião social formal formosa
(o que os vizinhos vão pensar?)
e a vida, receosa, me apresenta
este morto sem inconsciente
este dinossauro sob um manto negro sem simbolismo
este ser com o hálito podre de outros séculos
querendo duvidar da possibilidade de alguém ser poeta sem um papel comprobatório autenticado,
querendo mandar em como criar meus filhos como futuros acéfalos convictos,
querendo que fizéssemos promessas literais de não-aborto, não-sexo, não-separação,
querendo nos culpar por não irmos ouvi-lo aos sábados,
querendo analisar meu contracheque,
(considerando-se que isso tudo foi a sua demonstração de amizade pelos pais dela)
tudo em mim que era antes sangue
virou ira.

Esse ser fraco que não abre o maldito olho e me encara
(será que seu olho não quer ver o que ele fala?)
que me ouve respirar pesado, vermelho e treme
que não responde as minhas perguntas diretas
que me roubou um sábado da existência feliz
merece um poema.

Merece um poema
já que evitei o murro.
Infelizmente.

Este poema lhe deixo como agradecimento,
meu caro frei bento,
pela honra de não ter que fazer
curso de noivo
pro casamento...

Sim, senhora psicanalista:
raiva também de mim mesmo
antes de tudo por cogitar em casar
na Igreja Católica Apostólica Romana.

Burro.
Só faltava ter sido nos Estados Unidos.

(Talvez haja exceção
mas ela que vá pro inferno,
e entregue ao meu querido Diabo
um papel comprobatório
por falar em nome de Deus.)

(Fabio Rocha)

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A pastoral do dízimo tem como finalidade acolher, cadastrar, receber e organizar o pagamento dos dizimistas que temem a morte como finutude, além de divulgar a importância desta contribuição para o ouro do Vaticano. O dízimo pode ser pago no horário das missas de sábado e domingo, através de boleto bancário, bankline, cartão de crédito Visa ou Mastercard, ou ainda pelo disque-dízimo. Durante a semana, poderia ser pago na secretaria em notas de cinquenta ou cem reais apenas. Sorria: você está na Barra e Jesus te ama.

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GUERRA JUNQUEIRO - trecho final do poema "O MELRO", do livro "A VELHICE DO PADRE ETERNO"

"Há mais fé e há mais verdade, / Há mais Deus com certeza / Nos cardos secos dum rochedo nu / Que nessa Bíblia antiga Ó Natureza, / A única Bíblia verdadeira és tu!..."


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"Talvez não existam psicanalistas no futuro, mas haverá padres." Jaques Lacan

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"Os dois grandes narcóticos europeus, o álcool e o cristianismo." Nietzsche

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"Ainda que Deus existisse, nada mudaria. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo." Jean Paul Sartre


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"Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor." John Lennon

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Sincronicidades: um incêndio começou na minha janela, enquanto escrevia este poema. Na vegetação da Pedra do Pontal, que marca o início da Praia do Pontal, famosa pela música "Do Leme ao Pontal" do Tim Maia. No dia seguinte, veio a seguinte sorte num biscoito chinês: um incêndio começa com a menor das fagulhas.

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Mais links sobre o tema:
http://dabusca.blogspot.com/search/label/anti-igreja

quinta-feira, 23 de julho de 2009

PARA O SEOMÁRIO

Menos um poeta azul
nesta noite cinza
que é o mundo.

(Fabio Rocha)

Só hoje soube do falecimento do Rodrigo de Souza Leão. Susto, tristeza, vazio... Tão jovem. Meu primeiro contato com ele foi também a minha primeira (e inexperiente) entrevista. Depois é que pude conhecer e admirar seu trabalho escrito, e me sentir um pouco como seu irmão na poesia e na lowcura que todos os que criam carregam consigo em algum grau. Noite triste...

P.S.: O último poema dele, que achei agora no blog:

Tudo é pequeno.

Tudo é pequeno
A fama
A lama
O lince hipnotizando a iguana

O que é grande
É a arte
Há vida em marte

Rodrigo de Souza Leão

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

SOBRE O JORNAL

você ainda paga
para ler sem escrever
em árvores mortas

(Fabio Rocha)

*

Concordo com o que Jean-Francois Fogel diz abaixo... Mas, também concordo com o Cardoso: no Brasil, acho que ainda acontece muito pouco.

(Fabio Rocha)

“Jornalistas perderam a platéia silenciosa e admirada, desejosa de confiar em tudo que dissessem. A imprensa hoje é recebida com suspeita. A audiência prefere procurar pela informação por conta própria, usando sites e ferramentas da Internet para construir sua própria visão do que deveriam ser as notícias do dia”

“A Internet permitiu à audiência se tornar o jornalista, através de blogs, por exemplo. (…) Eu não acredito que o jornalismo seja tão importante que tenha que ser deixado nas mãos dos jornalistas. Isto é, mais ou menos, o que as pessoas que apóiam o “jornalismo cidadão” estão dizendo. Jornalismo é um negócio sério, sim, mas jornalistas e leitores atuam de formas diferentes. O problema para a imprensa agora é que ambas as partes são importantes. Imprensa e leitores estão casados e não podem se divorciar”

(Jean-Francois Fogel, aqui)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

MANIFESTO BLOGUISTA

rio da imprensa embrulhando peixe
enquanto a internet me deixa
chegar direto a quem lê

(Fabio Rocha)

*

Seguindo meu momento indignação contra a falta do NOVO no jornalismo, recomendo a leitura mais recente do Contraditorium (blog imperdível do Cardoso):

http://www.contraditorium.com/2008/02/19/manifesto-bloguista/

Trecho selecionado:

"Eu não quero brigar com o sujeito que fica acompanhando lista de mortos no acidente da TAM e ligando para a família das vitimas perguntando “como a senhora está se sentindo?”

O meu leitor também não quer isso. Esse trabalho burocrático a imprensa faz, muito bem."


(Fabio Rocha)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

OSHO É NIETZSCHE

mas
com
barba

(Fabio Rocha)

"Nós somos algo diferente de eruditos: embora seja inevitável que, entre outras coisas, também sejamos eruditos. Temos outras necessidades, outro crescimento, outra digestão: precisamos de mais, também precisamos de menos. Não existe fórmula para o quanto um espírito necessita para a sua nutrição; mas, se tem o gosto orientado para a independência, para o rápido ir e vir, para andanças, talvez para aventuras, de que somente os mais velozes são capazes, então prefere viver livre e com pouco alimento, do que preso e empanturrado. Não é gordura, mas maior flexibilidade e força, aquilo que um bom dançarino requer da alimentação - e eu não saberia o que o espírito de um filósofo mais poderia desejar ser, senão um bom dançarino. Pois a dança é o seu ideal, também a sua arte, e afinal sua única devoção também, seu "culto divino"... "

(NIETZSCHE, F. W. A Gaia Ciência. Aforismo 381. Tradução de Paulo César de Souza. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2001, página 285)

terça-feira, 13 de novembro de 2007

CHE

se Che
se fosse
mais tarde
talvez
todos fôssemos
um fogo
que mais arde

(Fabio Rocha)


"Os poderosos podem matar uma, duas ou até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera"

(Che Guevara)

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

VIA LÁCTEA


garimpar os dias
que a morte é certa

tudo deveria correr fácil
no entanto
tanto atropelo
tanto medo de tentar
tonta fuga

ansiolíticos não bastam

garimpar os dias...

tudo deveria ser
calmo
paisagem verde
daqui até o crepúsculo

garimpar estrelas fugidias


no universo íntimo
onde não há agonia

(Fabio Rocha)

OBS.: Poema inspirado no belo filme VIA LÁCTEA. Segue um poema muito repetido no filme:

Chuva Interior

Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.

Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.

Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.

Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.

Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava."

Mário Chamie

sexta-feira, 20 de julho de 2007

DISTANTE

Esta noite
eu te amo
(adiante, adiante...)

e pensando
profundo
(e insano)

o que há além
do horizonte
desta noite?

(Fabio Rocha)

"Não sei de nenhuma meta melhor para a vida do que perecer junto ao que é grandioso e impossível (...)"

NIETZSCHE, F. "Segunda consideração intempestiva: da utilidade e desvantagem da história para a vida" Rio de Janeiro: Relume Dumará. 2003 (Tradução: Marco Antônio Casanova) p. 84