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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

As cinco pessoas que você encontra no céu

era antigo o rádio da casa da vó
a porta com ferradura atrás
(para entrar a sorte)
o cheiro de água raz…

eu esperava
o sabiá
vir comer sua fruta-cor
plantada aberta na terra

esperava
ouvindo músicas antigas
no rádio ainda mais antigo

e era leve
e era bom

(Fabio Rocha)

OBS.: Poema inspirado na minha infância no quintal da casa de minha avó, para onde voltei ao ver o filme “As cinco pessoas que você encontra no céu”.

sábado, 10 de setembro de 2011

SOBREVIVI

sábado perdido
achando papéis antigos

cartas
e-mails
(nada esquecido)

não sei qual poeta falou
mas eu também rasgo os extratos bancários
e guardo todas
todas as cartas de amor

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

DA FALTA DE SONO

caminho
e só há o movimento
pois não dura nem verdade
nem contentamento

ah, minhas retintas retinas
num céu meio nublado
vendo estrelas extintas

(Fabio Rocha)

domingo, 10 de abril de 2011

O PRIMERO APARTAMENTO

lembrarei do vento
da ausência de mosquitos
do silêncio da igreja amedrontada
das amendoeiras falando em folhas
e cantando em cambaxirras

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

CASA DA VÓ

da casa lascada
pelas frestas
descendo a escada
entre árvores velhas
serpenteando me acerta em cheio
a tristeza do pássaro na gaiola de madeira
no meio da vista que arde
bem ali em frente
na vista que arde
presa em alguma parte
da manhã de domingo

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SÍLABA

enquanto morre um mar
bravo de navio
gravatas silencio
na garganta
um dizer que nem se cabe
nem se sabe

adio
tudo
pra sábado
passado

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

MÊS DO SUICÍDIO

em dezembro as ruas choram
luas mudam pro inverno
as promessas se desnudam
e o que resta é o inferno 

(Fabio Rocha)

domingo, 21 de novembro de 2010

NUMA MANHÃ DE DOMINGO

silencio o dia pra que a palavra brote do silêncio

chega um tempo em que os pés descalços nem sentem mais o chão
e você bebe água ou mate ou cicuta e tanto faz

chega um tempo em que você caminha
sem nem lembrar de pensar para onde
ou para quê

eu não paro
só pra que a poesia ande

(Fabio Rocha)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

MEUS 7 ANOS

a névoa de minhas memórias é morna
uma antiga casa carcomida
uma bola colorida maior que o mundo
uma árvore escura que gemia
passarinhos levando janelas abertas
calhas felicitando a chuva
rede balançando a varanda, confundindo mosquitos
grilos fazendo armários brancos cantarem
primos, amigos, avós, amores-plumas
(dores nenhumas)

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

sábado, 7 de agosto de 2010

INFÂNCIA DOCE

minha caneca plástica
de tomar mate
era vermelha

e cabia mais mate nela
e cabia mais açúcar nela
do que na vida inteira

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

REVIRAR MESAS ou CRY ME A RIVER (NA VOZ DE ELLA FITZGERALD)


ter a paz
das retinas de suicida,
uma cadeira pra esperar o tempo,
alguma sorte,
a ira na cômoda
e uma teimosa lira
que arda contra a morte

tantas dores no armário do peito
tão embutidas, antigas e belas
que faço arte
como partes
de desempates

tu partes
d-e-m-o-r-a-d-a-m-e-n-t-e
(reflexos no espelho partido)
mas tuas restantes partes
que me partem
parto em palavras pequenas
para alimentar pássaros

(Fabio Rocha)

sábado, 19 de junho de 2010

PROBLEMA DE FÁCIL SOLUÇÃO

não gosto de copa
nem de cozinha

futebol é a coisa mais idiota já inventada
depois da novela e do telejornal
(não necessariamente nessa ordem)

não gosto de copa
nem de cozinha

não quero ninguém perto
não quero ir sozinho

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

MEUS TRINTA ANOS

a certeza insana
de não ter vivido nada
enquanto a decrepitude
decreta:
não viverás muito mais

(Fabio Rocha)

terça-feira, 4 de maio de 2010

TARDE

(Para Bukowski)

os relógios de parede
têm sons realmente tristes
e apontam não direções

(eu admito que queria de volta a febre
pois com a febre
eu podia culpar a febre)

(Fabio Rocha)

terça-feira, 13 de abril de 2010