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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SÍLABA

enquanto morre um mar
bravo de navio
gravatas silencio
na garganta
um dizer que nem se cabe
nem se sabe

adio
tudo
pra sábado
passado

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

MEUS TRINTA ANOS

a certeza insana
de não ter vivido nada
enquanto a decrepitude
decreta:
não viverás muito mais

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

OLHANDO O ESPELHO

relaxa, Oibaf
calma, menino

o futuro dourado com lantejoulas não virá
(e se vier não será como esperas...)

estás aí, não vês?

aí, andando do modo único e brando que andam os poetas
aí, ilha cercada de gente ou solidão demais
aí, personificação da falta que pareces amar
mas aí
aí desde sempre
exatamente aí

(Fabio Rocha)

terça-feira, 13 de abril de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

sábado, 24 de outubro de 2009

TELESCÓPIO

A ciência contempla
mais e mais vastidões
de universo árido
em todos os cantos das galáxias.

Enquanto isso
nascemos
crescemos
reproduzimo-nos
e morremos
sem tempo
pra sermos
o m-i-l-a-g-r-e
que somos.

Sem tempo
pra querer
o que queremos.

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

MANO VELHO

Para não ver
entre o que não sou
e o que acabei não sendo
me distraio em passatempos
enquanto relógios escorrem.

(Fabio Rocha)

TIC TAC

A criança:
olhos abertos
na noite fechada.

No corredor
um relógio
de parede.

A criança sozinha
ouve escuro
e vê seu som.

O relógio imenso
semeando
finitudes...

(Fabio Rocha)

terça-feira, 26 de maio de 2009

SALA DE ESPERA (MUDANDO DE ANALISTA)

Sentamos na sala de espera. O som do silêncio é o relógio de parede que quebra, por não estar quebrado - infelizmente. Dura três longos minutos. Fala-se, então, das novas descobertas científicas na revista que podem nos fazer viver mais. Me pergunto para quê. E a caverna subterrânea, da beira do profundo nos observa, repleta de silêncio e coisas escuras por dizer. Entreolhamo-nos, semiconscientes dela mas sem coragem. O não-dito. O relógio segue. Ninguém desce a si.

(Fabio Rocha)

terça-feira, 19 de maio de 2009

MANHÃ NO AP

Zeus
te proteja
da solidão inescapável intransponível iniludível
que o cachorro ao lado late
e o seu silêncio bate
na grade gris do tempo.

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

NÃO-TEMPO

O não-tempo
é tempo de não ser.

Sair pouco
comer pouco
falar pouco.

Tempo de tristeza aberta
em dias ensolarados
e tristeza mansa
em dias fechados...

Um disfarce
do existir
não existindo.

Por onde a última
esperança
já cansou...

E o poema
desistiu.

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 9 de março de 2009

TEMPO

Leio Walt Whitman
no rosto do velho barbado
há 90 anos no Ceará
com cada osso torto
e calor
e sofrer
e silêncio contemplativo.

Meu avô.

Seus olhos vêem o mesmo todo.

Vou viver.

Os cheiros da infância feliz
encontraram algum secreto caminho
pro apartamento de hoje.

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

AREIA

Dois amigos
caminham
por praias distantes.

Caminham calados
enquanto cai
(constante e irreversivelmente)
por entre os dedos do tempo
qualquer palavra.

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

MUSICAL MATINAL

dança de letras e significados
sob a regência do invisível
e um céu azul redondo

mais um dia começando
a se fazer sentir
e se fazer sentido
na ausência de relógios

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009