o futuro dourado com lantejoulas não virá
(e se vier não será como esperas...)
estás aí, não vês?
aí, andando do modo único e brando que andam os poetas
aí, ilha cercada de gente ou solidão demais
aí, personificação da falta que pareces amar
mas aí
aí desde sempre
exatamente aí
Sentamos na sala de espera. O som do silêncio é o relógio de parede que quebra, por não estar quebrado - infelizmente. Dura três longos minutos. Fala-se, então, das novas descobertas científicas na revista que podem nos fazer viver mais. Me pergunto para quê. E a caverna subterrânea, da beira do profundo nos observa, repleta de silêncio e coisas escuras por dizer. Entreolhamo-nos, semiconscientes dela mas sem coragem. O não-dito. O relógio segue. Ninguém desce a si.