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sábado, 18 de agosto de 2012

céu de agosto

há um poema

enquanto o inverno goteja lento
o sol descendo no dourado
nuvens estupefatas com a imobilidade de tudo
num silêncio frio e calmo

há um poema enorme

(Fabio Rocha)

sábado, 17 de abril de 2010

CMB: RETRATO

o som do silêncio
tocando as folhas
de árvores esparsas

cavalos e garças
me olham

trovões
são aviões a jato

urubus à beça
quero-quero em pasto
borboletas brancas
sobrevoam sempre
sobrevoam leve
ruas afundadas

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 26 de março de 2010

ANJOS SÃO DEMÔNIOS

o céu é grande
e vou sozinho

o som do céu
é uma música antiga
um cheiro de antes
uma mulher perdida
que nunca houve

palavras
sagradas
esquecidas
na silhueta das árvores

o céu é grande demais
e longa
a vida

(Fabio Rocha)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

EXCALIBUR

Chegou o final da guerra
e o silêncio amplia os campos.

Na beira do oceano
sem nenhum cavalo ou dragão
sinto o peso de Excalibur pela última vez.

Ela
quer
o
mar.

Deixo-a ir.

Seu vôo de giros e brilhos
parece lento e musical.

As águas se abrindo para recebê-la
levam também
(lavam também)
minha alma.

(Fabio Rocha)

domingo, 15 de março de 2009

SALTO

de mim ao céu
uma trilha de insetos estagnados
sem visíveis teias

caminho de veias
e sedes venosas

leveza ascende:

lilás
sobre o azul

(Fabio Rocha)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

TEMPO PARA SI

Enquanto o mar por trás dos prédios rosna
e a brisa de sempre, sempre diferente, venta
gaivotas passam num céu rosado em câmera lenta
e frases complexas sem muito significado morrem.

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

SONS DA MONTANHA

O zumbido
do silêncio
penetra
o ouvido
da cidade...

A verdade é o frio
do ar
do alto
que inventa
venta
purifica de vazio
qualquer excesso...

(Pinheiros acenam.)

A lareira crepita
sons de chuva
na floresta
antiga.

(Pinheiros acenam.)

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

REINVENTANDO QUINTANA - UM POEMA ERUPTIVO

em cada ponta de ilha imaginária
um vulcão

sobrevejo pássaros brancos de fumaça
e sinto que os passos passam
mas o vôo não

os passos nas pedras pesam
o coração dos muitos
seguidores de metas e futuros

mas lava quente
é rocha
no mar frio

ebulição
beijo de opostos
que liberta acima o fugaz
para ser pisada e lilás
triste, morna e fixa demais
só até a próxima explosão

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

PONTAL

Pedra antes de tudo pedra
quantos infinitos
oceanos silenciosos
cheios de carinhos, algas e ostras
passaram sob ti?

E esse céu
pintado de auroras marginais
com sangue e vento
ornado de agora
desde sempre?

(Cresce verde em teus velhos musgos
e a noite vem enganar a todos
com a mudança)

(Fabio Rocha)