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domingo, 19 de junho de 2011

DANDARA

silencio tudo
pra fazer um poema com teu nome
com teus dezenove anos me olhando fixo
com teu corpo nesse uniforme
(todo meu nessa noite)

pois a vida
(essa sim, toda desconhecida)
continua premiando quem arrisca tudo

(Fabio Rocha)

sábado, 7 de maio de 2011

*

estar no céu
com ela loira e dúbia
ela perto e alta
ela nua e linda
loucamente lúcida
star no céu
com núbia

(Fabio Rocha)

domingo, 24 de abril de 2011

NÍTIDA

chovo de vez em água
sobre o lago envolto em pele
absorvo o sal na boca
observo o contrair da carne:
alma deliciosamente louca

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

DIRECIONAMENTO

é preciso o caos
pra nascer a rosa

a rosa brota lenta
e carinhosa

a rosa
dos ventos
que vejo e invento
sob a sua
roupa cheirosa

(Fabio Rocha)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

PROVAR O SEXO

acordo com sua rosa branca nas mãos estupefatas
leio em cada pétala um brilho, um deus e um renascer
(todo eu indubitavelmente vermelho luz)

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

BRANQUINHOS

os seios da poesia
(maravilhas macias)
são vastos
amor-róseos 
querem explodir
a camisa fruta-cor
que os oprime 

(Fabio Rocha)

sábado, 14 de agosto de 2010

LILITH

a lua negra
é a lua nova
nua
nua
te chamando perto
se chamando sua...

(Fabio Rocha)

domingo, 8 de agosto de 2010

MENTE COM LEMBRANÇAS

quando a minha palavra toca
em teu corpo úmido
cavo
depois cavo mais fundo
até a mão - boba - tocar
num orgasmo
num segundo
o calor do brilho eterno
no centro do centro do mundo

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

DO SONHO


ela era nova
fruto frágil proibido
pele tenra, doce escápula
mão imemorial vinda desde sempre
me cantou umas palavras lindas
me tocou até eu virar água
bebeu tudo
e nunca me disse seu nome

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

FLORES E PÉROLAS

entre os teus seios
eu, cavalo sem asas
entro galopando vermelho
saio em brasas

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

PRA JULIA

outra forma de minhas mãos
tocarem suas coxas
é pelos versos
pelo inverso de sua pele
pela distância multiplicada por nada
proporcional a dentro
dentro de tanto branco
perto
dentro de leve
quente
dentro semente
dentro

(deliciosamente)

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

quarta-feira, 17 de junho de 2009

quarta-feira, 23 de maio de 2007

CAMINHAS DESLIZANDO A PERFEIÇÃO

"O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente." - Fernando Pessoa


Enquanto falas e não ouço
algo ininteligível
imagem e espelhos indizíveis que se vêem como visão espelhada
se cala perante o meu ver a tua boca
a tua boca de fenda reta
porém boca
lábios
lábios moventes róseos
no contorno da reta imóvel
rara
e reta.

Na verdade...
É tudo.
Tudo.

Tudo em ti
é
perfeição
lenta.

O ar em torno
o contorno
afetado
vagareia...

Quero
apenas
tudo.

Te mastigar com os últimos molares
e que me mastigues
sem dor nem pena
esquecendo belas teorias de amor sem posse
no instante em que esse outro te beija morno
rápido
acostumado
tendendo ao frio dos espelhos enigmáticos de que falas e não entendo
(rumino vulcões).

Mas...

Mastigar!
Mastigar agarrando sua santa pele branca
suas pernas belamente tortas (afinal, também humana!)
sim, competir, sim, brigar!

O não-ser é
ser mastigado
v i o l e n t a m e n t e
por sua vulva rósea alemã séria
que de tanto imaginar já provo
em minha boca molhada babando
a cada vez que seu olhar azul se esconde do meu
e me tem
e me teme
aumento
aumento quase do tamanho de entender o que dizes
mas seria uma perda de tempo
qualquer ato que não fosse
p-e-n-e-t-r-a-ç-ã-o.

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

AMAR: QUEIMAR AMARRAS

tempestade tátil das mãos
(in)vento susurros certeiros
pele com fogo de dragão
e sabor dos nevoeiros...

(Fabio Rocha)