Mostrando postagens com marcador melhores poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador melhores poemas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

doença

as cidades são o câncer do mundo
semeando cinza
alteram o metabolismo do tempo
aceleram a pulsação por rodovias engarrafadas
tudo e todos correndo correndo correndo atrás de nada
até que explode
uma bomba, um louco, um poema

(Fabio Rocha)

sábado, 10 de novembro de 2012

concurso literário tororó das couves


este certame visa a expansão da consciência
da importância
e da impotência
das couves

o ineditismo literário
é temerário
arbitrário
mas imprescindível

podem inscrever-se escritores ambidestros
de ambos os sexos
que desenhem com as duas mãos nas quintas-feiras
e leiam e releiam este regulamente oito vezes
pagando a taxa irrisória de um milhão de reais
para cobrir os custos de digitação do abecedário glorioso
e dos troféus e medalhas de honra ao soldado desconhecido
que serão entregues aos egos competitivos vencedores
em cerimônia solene e iluminada
no salão nobre da casa da mãe Joana
na rua das couves, 666
em data a ser definida num dia indefinido
quando do festival das couves

a banca julgadora será constituída por ilustre marceneiro anônimo
composta de mogno
firme e sólida
sobre a qual serão performados sacrifícios ritualísticos de couves
para alimentar as massas

(os competidores que morem na cidade das couves estão, desde já, agraciados com o prêmio maior: a couve sagrada)

para inscrever-se, o autor deve ser inédito e insone
não ter livro publicado, namorada, filho ou árvore plantada
gostar de quiabo e couve
e nunca jamais pode ter dançado com o demônio sob luz do luar

o tema obrigatório são as couves
suas cores
seus sabores
seus movimentos ao vento…

os trabalhos devem ser enviados num envelope menor lacrado de papel pardo com codinome secreto
dentro de outro envelope menor lacrado de papel pardo com outro codinome secreto
dentro de outro envelope menor lacrado de papel pardo com outro codinome secreto que não se refira a couves
dentro de uma caixa enorme enviada via carta registrada com carimbo da Dinamarca e sem quaisquer identificações
acompanhando um cd e um pendrive e um iPad com o texto digitado com codinome secreto
(o nome verdadeiro do codinome deve ser enviado por telégrafo ou sinal de fumaça)

é imprescindível o uso de letras corpo violão 12, folha A3 dobrada 12 vezes, espaço 1,575 (estrelinhas) e fonte Times ou Arial ou couves

os vencedores receberão o título de vencedores
os perdedores receberão a missão de invejar os vencedores
que terão seus textos em prosa ou poesia publicados
(num livro inédito que venderá a amigos contrariados)
com o propósito de não poder mais participar de concursos literários como esse
que exigem o ineditismo

o prazo limite para o envio das caixas com envelopes e equipamentos é o de ontem
(se não chover e estragar a horta)

os casos omissos no presente regulamento ficarão omissos
enterrados no fundo da terra
(como a raiz das couves)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

rosa

o amor nunca é como você esperava
o amor espera
o amor atrasa
mas está lá…

você foi treinado
desde a mais tenra infância
a matar o amor:

já jogou granada
deu tiro de UZI
AR-15
hadouken
metralhada
CONTROL ALT DEL
mas o amor rebootava

o amor insiste
inesperado, único
e não há como se proteger
de sua rosa

(Fabio Rocha)

sábado, 6 de outubro de 2012

minha vida é insônia e um ônibus engarrafado

uso óculos escuros
na noite alta

estrelas

pianos

mortos me assustam vivos

respiração descompassada
entre os passos do passado
e os furos do futuro

toco a realidade
através de um véu amarelo
de racionalidade:

não sinto nada
além de falta

(Fabio Rocha)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

apartamento

meia-noite e ogro

o cara de cima
vê a Globo
e tosse:

plim plim – cof cof

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

pedAços de um que não fiZ

ADIO O poema que não me dorme
Desejo pousar a mão enorme
Na pele mais proibida
Que vejo
Percevejo a paz de ser cego
e em Santa CRUzzzzzzz CHOve
*
palavras e águas
escorrem
em muros brancos velhos meio tortos
limo da infância que não há
pomba branca
madrugada escura
não HÁ cura
perco poemas na rua
*
medito e não medito
do meio disso o interdito
interestadual ônibus feira depois
que nunca chega
*
adio há dias
meses
vidas
*
MAIÚSCULA voz que não digo
tudo de que não saio
saia que não depende de mim
no entanto
olhos que vêem
fora do agora
só agonia
ANESTESIO um poema
que me anestesia
*
pensamento acelerado por
dormir pouco pra curtir a vida
dormir mal sobre a omoplata vencida
dormir torto pra melhorar a coluna
procurar motivos por dormir mal
e sonhar com ela beijando outro
*
o pólipo do poliamor é benigno
deve ser cortado sem risco
calculado sem anestesias
vivido em fuga
fugido em vida
correndo, correndo
atrás de um rabo
ou um cargo
ou um míssil que exploda esta bosta toda
que CALO

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

placa ao poeta na jaula

favor não alimentar
as
ilusões

(Fabio Rocha)

faróis

se olhos vêm na direção contrária
de encontro direto ao coração
brilhando milagre abissal
freio de mão:
desvio ao real
que todo encanto padrão
tem pressa de passar
(e mal)

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

grafite

sonhar com pontes
e acordar com muros

solução sem soluçar:
pichar poemas no escuro

(Fabio Rocha)

sábado, 18 de agosto de 2012

céu de agosto

há um poema

enquanto o inverno goteja lento
o sol descendo no dourado
nuvens estupefatas com a imobilidade de tudo
num silêncio frio e calmo

há um poema enorme

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

chora não... segue em paz

sorrio você quando como um chocooky
às 4 da manhã
e saio pro trabalho por outro caminho...

sorrio de mim
quando vejo o sentido da vida
na calça jeans da menina adiante

é preciso sorrir pras alvoradas de Cartola, meu amor...
a dor passará
leve, breve
passarinhos, passaremos...

(Fabio Rocha)

terça-feira, 10 de abril de 2012

todo santo dia

se o poema me foge
rasgo a pele da palavra
saio de mim e tranco a porta
rimo impossível com cambalhota
caço o espaço de silêncio
com metralhadoras suicidas
e escrevo o indizível
como missão cumprida

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Borboletas Negras

(A Ingrid Jonker)

as palavras
batem
com a cabeça
na realidade
tremem as mãos das palavras
e todos os seus rostos
ensangüentados
choram vermelho

a palavra sorve álcool e vidro quebrado
a palavra é o último dente da agonia,
fome do justo
mordendo o ventre
que só pare
sem parar

a mesma África
o mesmo mundo
vasto mundo
a palavra está cansando
mas não morre!

(Fabio Rocha)

bailarina

a bailarina
é um anjo
de asa fina

(Fabio Rocha)

domingo, 22 de janeiro de 2012

a la Schopenhauer

estamos todos gastando a idade
entre a ansiedade do desejo
e o tédio da saciedade

(Fabio Rocha)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

(IR)REAL (IR)RESISTÍVEL

sono acumulado de décadas sem dormir
porém
quando acordaremos?

os escritórios seguem tantos
contratos sem tato e alvos brancos
tudo tão claro e certo
que não dormimos
e sonhar é o verbo esquecido

caminhamos ressequidos ao mercado
ressentidos com desertos
deserdados de sentido
abcessos

percorremos o caminho mais seguro
abobados pelo mesmo
abalados de progresso

escrevemos
o poema
comportados

( Fabio Rocha )

sábado, 7 de janeiro de 2012

VÓS SOIS DEUSES?

o câncer do planeta está com câncer
o câncer do planeta está com pressa
o câncer do planeta
não tem tempo

( Fabio Rocha )


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

90% DE CHANCE DE CHOVER NO ANO NOVO

a formiga
anda perdida
pelo cimento

urubus em círculos
nos cinzas dos céus
sem metas
sem rumo
sem pressa

amendoeiras cospem folhas
bem-te-vi não canta
(ser feliz cansa)

a formiga
anda perdida
pelo cimento

um bom poema
só nasce
do vento

( Fabio Rocha )