(Para o frei Dino)
Não há exceção.
Por baixo dos panos pretos
que cobrem os abutres
padres freis frades freiras e fracos semelhantes
(essas pedras intermináveis contra a vida)
há sempre um recalcado
um mendicante de intelecto
com uma fé titubeante
desde que a Terra perdeu o centro do universo,
desde que milhões morreram em suas guerras por um Deus que não responde,
desde que milhares foram queimados em fogueiras sem motivo
(como meu estômago vermelho de úlcera e cólera).
Este recalcado, fraco e covarde ser
passa boa parte de seu não-viver
querendo cagar regras medonhas
sobre dogmas antigos
para acéfalos inúmeros.
Enquanto estava distante
já abominava
(ruminante, mas calmamente)
monografias afora,
apesar dos quase abusos sexuais contra familiares.
Porém, perto...
Perto...
Perto demais...
Perto,
quando da ocasião social formal formosa
(o que os vizinhos vão pensar?)
e a vida, receosa, me apresenta
este morto sem inconsciente
este dinossauro sob um manto negro sem simbolismo
este ser com o hálito podre de outros séculos
querendo duvidar da possibilidade de alguém ser poeta sem um papel comprobatório autenticado,
querendo mandar em como criar meus filhos como futuros acéfalos convictos,
querendo que fizéssemos promessas literais de não-aborto, não-sexo, não-separação,
querendo nos culpar por não irmos ouvi-lo aos sábados,
querendo analisar meu contracheque,
(considerando-se que isso tudo foi a sua demonstração de amizade pelos pais dela)
tudo em mim que era antes sangue
virou ira.
Esse ser fraco que não abre o maldito olho e me encara
(será que seu olho não quer ver o que ele fala?)
que me ouve respirar pesado, vermelho e treme
que não responde as minhas perguntas diretas
que me roubou um sábado da existência feliz
merece um poema.
Merece um poema
já que evitei o murro.
Infelizmente.
Este poema lhe deixo como agradecimento,
meu caro frei bento,
pela honra de não ter que fazer
curso de noivo
pro casamento...
Sim, senhora psicanalista:
raiva também de mim mesmo
antes de tudo por cogitar em casar
na Igreja Católica Apostólica Romana.
Burro.
Só faltava ter sido nos Estados Unidos.
(Talvez haja exceção
mas ela que vá pro inferno,
e entregue ao meu querido Diabo
um papel comprobatório
por falar em nome de Deus.)
(Fabio Rocha)
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A pastoral do dízimo tem como finalidade acolher, cadastrar, receber e organizar o pagamento dos dizimistas que temem a morte como finutude, além de divulgar a importância desta contribuição para o ouro do Vaticano. O dízimo pode ser pago no horário das missas de sábado e domingo, através de boleto bancário, bankline, cartão de crédito Visa ou Mastercard, ou ainda pelo disque-dízimo. Durante a semana, poderia ser pago na secretaria em notas de cinquenta ou cem reais apenas. Sorria: você está na Barra e Jesus te ama.
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GUERRA JUNQUEIRO - trecho final do poema "O MELRO", do livro "A VELHICE DO PADRE ETERNO"
"Há mais fé e há mais verdade, / Há mais Deus com certeza / Nos cardos secos dum rochedo nu / Que nessa Bíblia antiga Ó Natureza, / A única Bíblia verdadeira és tu!..."
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"Talvez não existam psicanalistas no futuro, mas haverá padres." Jaques Lacan
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"Os dois grandes narcóticos europeus, o álcool e o cristianismo." Nietzsche
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"Ainda que Deus existisse, nada mudaria. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo." Jean Paul Sartre
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"Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor." John Lennon
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Sincronicidades: um incêndio começou na minha janela, enquanto escrevia este poema. Na vegetação da Pedra do Pontal, que marca o início da Praia do Pontal, famosa pela música "Do Leme ao Pontal" do Tim Maia. No dia seguinte, veio a seguinte sorte num biscoito chinês: um incêndio começa com a menor das fagulhas.
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Mais links sobre o tema:
http://dabusca.blogspot.com/search/label/anti-igreja
"Abrir o peito à força numa procura / Fugir às armadilhas da mata escura" (Eu caçador de mim - Luiz Carlos Sá e Sérgio Magrão)
sábado, 15 de agosto de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
PRAIANEIRO
Perpasso
sob o céu cinzento
procurando
não estar atento
e totalmente
pisando o momento.
O céu é baixo
de desalento
as ondas fracas
o passo lento.
O esforço (ou o engano)
é não se esforçar
para poder brotar
um novo oceano.
(Fabio Rocha)
sob o céu cinzento
procurando
não estar atento
e totalmente
pisando o momento.
O céu é baixo
de desalento
as ondas fracas
o passo lento.
O esforço (ou o engano)
é não se esforçar
para poder brotar
um novo oceano.
(Fabio Rocha)
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
PRAIANÍSSIMO
Vou em direção
ao sol
só meu
(seguindo cada curva).
As ondas
do mar
trazem palavras
silenciosas.
Palavras fortes
contra toda e qualquer
literalidade
superficialidade
materialidade
quebram estrondosas
na espuma.
Urubus as cercam
gaivotas as furam
pombos as cortam
eu as caminho.
Caminhando
mastigo
afirmo
aumento
existo.
(Fabio Rocha)
ao sol
só meu
(seguindo cada curva).
As ondas
do mar
trazem palavras
silenciosas.
Palavras fortes
contra toda e qualquer
literalidade
superficialidade
materialidade
quebram estrondosas
na espuma.
Urubus as cercam
gaivotas as furam
pombos as cortam
eu as caminho.
Caminhando
mastigo
afirmo
aumento
existo.
(Fabio Rocha)
sábado, 1 de agosto de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
PARA O SEOMÁRIO
Menos um poeta azul
nesta noite cinza
que é o mundo.
(Fabio Rocha)
Só hoje soube do falecimento do Rodrigo de Souza Leão. Susto, tristeza, vazio... Tão jovem. Meu primeiro contato com ele foi também a minha primeira (e inexperiente) entrevista. Depois é que pude conhecer e admirar seu trabalho escrito, e me sentir um pouco como seu irmão na poesia e na lowcura que todos os que criam carregam consigo em algum grau. Noite triste...
P.S.: O último poema dele, que achei agora no blog:
Tudo é pequeno.
Tudo é pequeno
A fama
A lama
O lince hipnotizando a iguana
O que é grande
É a arte
Há vida em marte
Rodrigo de Souza Leão
nesta noite cinza
que é o mundo.
(Fabio Rocha)
Só hoje soube do falecimento do Rodrigo de Souza Leão. Susto, tristeza, vazio... Tão jovem. Meu primeiro contato com ele foi também a minha primeira (e inexperiente) entrevista. Depois é que pude conhecer e admirar seu trabalho escrito, e me sentir um pouco como seu irmão na poesia e na lowcura que todos os que criam carregam consigo em algum grau. Noite triste...
P.S.: O último poema dele, que achei agora no blog:
Tudo é pequeno.
Tudo é pequeno
A fama
A lama
O lince hipnotizando a iguana
O que é grande
É a arte
Há vida em marte
Rodrigo de Souza Leão
terça-feira, 21 de julho de 2009
DA BUSCA REVISITADA
No fundo de toda agonia
o vazio do agora
que eu deveria
abraçar
e não buscar preencher
com algo de fora
desta poesia.
(Fabio Rocha)
o vazio do agora
que eu deveria
abraçar
e não buscar preencher
com algo de fora
desta poesia.
(Fabio Rocha)
segunda-feira, 20 de julho de 2009
MANO VELHO
Para não ver
entre o que não sou
e o que acabei não sendo
me distraio em passatempos
enquanto relógios escorrem.
(Fabio Rocha)
entre o que não sou
e o que acabei não sendo
me distraio em passatempos
enquanto relógios escorrem.
(Fabio Rocha)
TIC TAC
A criança:
olhos abertos
na noite fechada.
No corredor
um relógio
de parede.
A criança sozinha
ouve escuro
e vê seu som.
O relógio imenso
semeando
finitudes...
(Fabio Rocha)
olhos abertos
na noite fechada.
No corredor
um relógio
de parede.
A criança sozinha
ouve escuro
e vê seu som.
O relógio imenso
semeando
finitudes...
(Fabio Rocha)
sexta-feira, 17 de julho de 2009
ATRÁS DA MESA
terça-feira, 14 de julho de 2009
ESCURO
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segunda-feira, 13 de julho de 2009
POEMA XISTE ORGÂNICO
auriverde pendão de minha pressa
onde a bola de couro brilha e não cansa
sigamos sábios serenos maracuginos
a semear granolas transgênicas
e a sonhar com vida mansa
(Fabio Rocha)
onde a bola de couro brilha e não cansa
sigamos sábios serenos maracuginos
a semear granolas transgênicas
e a sonhar com vida mansa
(Fabio Rocha)
domingo, 12 de julho de 2009
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