Todo o tempo
temos.
Temos.
Todo o tempo
que temos
perdemos
porque temos
que
(Fabio Rocha)
"Abrir o peito à força numa procura / Fugir às armadilhas da mata escura" (Eu caçador de mim - Luiz Carlos Sá e Sérgio Magrão)
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
ALEGRO
Numa noite de sincronia
na tempestade que se forma
e se expande, e se afirma, e se espalha
em raios
ouço a música do ser.
Cantam o mesmo, em harmonia
Heráclito, Drummond, Nietzsche, Ravel, Whitman, Jung:
o mundo, a vida, a vontade, o universo, você...
tudo
é
um.
(Fabio Rocha)
na tempestade que se forma
e se expande, e se afirma, e se espalha
em raios
ouço a música do ser.
Cantam o mesmo, em harmonia
Heráclito, Drummond, Nietzsche, Ravel, Whitman, Jung:
o mundo, a vida, a vontade, o universo, você...
tudo
é
um.
(Fabio Rocha)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
TEMPO PARA SI
Enquanto o mar por trás dos prédios rosna
e a brisa de sempre, sempre diferente, venta
gaivotas passam num céu rosado em câmera lenta
e frases complexas sem muito significado morrem.
(Fabio Rocha)
e a brisa de sempre, sempre diferente, venta
gaivotas passam num céu rosado em câmera lenta
e frases complexas sem muito significado morrem.
(Fabio Rocha)
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
VALE TUDO?
No deserto estéril
cercado de moeda
por todos os ralos
me arrasto entre futuros
de pessoas feias mas confortáveis
e um impulso injusto e inafiançável
dentro desses dentes trincados cansados
quer seguir o belo
o bom
o justo
sem ter que escrever o que querem ler
apenas pra passar
de ano, de emprego, de vida.
(Fabio Rocha)
cercado de moeda
por todos os ralos
me arrasto entre futuros
de pessoas feias mas confortáveis
e um impulso injusto e inafiançável
dentro desses dentes trincados cansados
quer seguir o belo
o bom
o justo
sem ter que escrever o que querem ler
apenas pra passar
de ano, de emprego, de vida.
(Fabio Rocha)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
PARA DANIEL JOHNSTON
Um poema-auto-resposta
um dilema repassa
automóvel:
Podem inventar budismos
epicurismos
ou qualquer outra bela e convincente forma
de conservaformismo...
Quando este mundo e este momento
bastarem
bastarem legitima e totalmente
a todos os de dentro e de fora da multidão
não haverá arte.
(Fabio Rocha)

Imagem do site oficial de Daniel Johnston
um dilema repassa
automóvel:
Podem inventar budismos
epicurismos
ou qualquer outra bela e convincente forma
de conservaformismo...
Quando este mundo e este momento
bastarem
bastarem legitima e totalmente
a todos os de dentro e de fora da multidão
não haverá arte.
(Fabio Rocha)
Imagem do site oficial de Daniel Johnston
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
MÍSTICA
O que eu busco
é o mistério
a surpresa
o encantamento
a empolgação
a superação
a vontade
o desejo...
(Mas o que tenho mesmo é o mesmo,
e o medo de sair do mesmo
me mantém mesmo
no mesmo.)
No caminho
sonhei apenas comunhões
onde havia distâncias
e afastei muitos próximos
muito próximos
nos intervalos comerciais...
Percorri vulcões ortodoxos cheios de gentes
gargarejando nada
e cuspindo metas
a ditar caminhos...
Senti o grande martelo
quebrar algum sentido
e uns e outros mundos...
Sacolejei em vícios lúdicos
rastejei por ouro e futuro
sofri pelo passado deitado...
E hoje me vejo parado
e hoje me vejo sozinho
e hoje vejo
que talvez nunca
tenha conseguido ver
algo que não seja eu...
Afora isso,
sigo parado e sozinho,
com a quase certeza,
mesmo parado e sozinho,
de nada estar além do agora,
de tudo o que preciso
morar no instante,
no entanto,
intocável de tão perto.
(Fabio Rocha)
é o mistério
a surpresa
o encantamento
a empolgação
a superação
a vontade
o desejo...
(Mas o que tenho mesmo é o mesmo,
e o medo de sair do mesmo
me mantém mesmo
no mesmo.)
No caminho
sonhei apenas comunhões
onde havia distâncias
e afastei muitos próximos
muito próximos
nos intervalos comerciais...
Percorri vulcões ortodoxos cheios de gentes
gargarejando nada
e cuspindo metas
a ditar caminhos...
Senti o grande martelo
quebrar algum sentido
e uns e outros mundos...
Sacolejei em vícios lúdicos
rastejei por ouro e futuro
sofri pelo passado deitado...
E hoje me vejo parado
e hoje me vejo sozinho
e hoje vejo
que talvez nunca
tenha conseguido ver
algo que não seja eu...
Afora isso,
sigo parado e sozinho,
com a quase certeza,
mesmo parado e sozinho,
de nada estar além do agora,
de tudo o que preciso
morar no instante,
no entanto,
intocável de tão perto.
(Fabio Rocha)
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
SEM SAL
Enquanto o tempo
se despede
desliza
desmancha
surfamos sem prancha
pelo mar sem conchas.
(Fabio Rocha)
se despede
desliza
desmancha
surfamos sem prancha
pelo mar sem conchas.
(Fabio Rocha)
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domingo, 14 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
FUNDAMENTAÇÃO POÉTICA 1: ANSIEDADE COMO BEM
A base de minha poesia é a pressa.
Escrevo antes que o poema passe
antes que eu me critique
me encontre
e morra.
Escrevo antes de qualquer revisão ou cuidado excessivo
com as novas regras gramaticais
sem pensar no FBI
ou na ABNT.
Antes de tudo
antes que o poema morra.
(Fabio Rocha)
Escrevo antes que o poema passe
antes que eu me critique
me encontre
e morra.
Escrevo antes de qualquer revisão ou cuidado excessivo
com as novas regras gramaticais
sem pensar no FBI
ou na ABNT.
Antes de tudo
antes que o poema morra.
(Fabio Rocha)
CHOQUE (TERAPIA INÚTIL CONTRA A TIMIDEZ)
Para Machado de Assis
Os olhos de Capitu
quando encontram
no infinito segundo
meu olhar cansado
libertam (e matam) pombas seculares
(bombas nucleares)
abrigadas nas calçadas do plexo.
Entanto, as mãos não movem
as mãos não movem não
as mãos não movem
como sempre não moveram
resolutamente não movem
rumo ao que quero
e tudo passa
escapa
e vivo morto
morto vivo
agarrando minha raiva
a volantes de automóveis
e versinhos por fazer
eterna mente.
(Fabio Rocha)
Os olhos de Capitu
quando encontram
no infinito segundo
meu olhar cansado
libertam (e matam) pombas seculares
(bombas nucleares)
abrigadas nas calçadas do plexo.
Entanto, as mãos não movem
as mãos não movem não
as mãos não movem
como sempre não moveram
resolutamente não movem
rumo ao que quero
e tudo passa
escapa
e vivo morto
morto vivo
agarrando minha raiva
a volantes de automóveis
e versinhos por fazer
eterna mente.
(Fabio Rocha)
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
AMOR FATI 2 - A REVANCHE
Para Bob Dylan
A dor do dia no apartamento sozinho
me pesa as pernas.
A louça por lavar me olha entre panelas, suspiros e literalidade.
Uma baleia de aço
canta sofrida em algum ponto perto
asfalto.
Ar falta
na ansiedade concentrada
entre o peito e os braços abertos
ansiedade pulsante que se torna
tempestade crescente
Beethoven
e então
letra e palavra...
Palavra escrita
pela voz não dita
voz não dita no apartamento que me aperta o dia
agita antes de usar
aperta e pulsa e uso
relógio no pulso pulsando a vida passando em medidas exatas
entra as minhas asas fechadas e a nostalgia do que não faço
matemático.
Mas algo me mostra que
apesar de tudo e de nada
o momento é perfeito
o momento formado por todas essas partes do todo caótico
e a gaita de Bob Dylan
e a baleia indefinível em algum lugar por perto
algum lugar por certo que não se pode ver pela janela
(tiros ao longe, tiros dos jornais de amanhã)
a solidão da plenitude...
Nada poderia ser diferente no dia
na minha vida
no mundo
ou no universo
pelo bem desta canção.
(Fabio Rocha)
(Este poema interrompeu o belo, louco e longo filme "Não estou lá", sobre Bob Dylan, passando agora no Telecine Cult.)
A dor do dia no apartamento sozinho
me pesa as pernas.
A louça por lavar me olha entre panelas, suspiros e literalidade.
Uma baleia de aço
canta sofrida em algum ponto perto
asfalto.
Ar falta
na ansiedade concentrada
entre o peito e os braços abertos
ansiedade pulsante que se torna
tempestade crescente
Beethoven
e então
letra e palavra...
Palavra escrita
pela voz não dita
voz não dita no apartamento que me aperta o dia
agita antes de usar
aperta e pulsa e uso
relógio no pulso pulsando a vida passando em medidas exatas
entra as minhas asas fechadas e a nostalgia do que não faço
matemático.
Mas algo me mostra que
apesar de tudo e de nada
o momento é perfeito
o momento formado por todas essas partes do todo caótico
e a gaita de Bob Dylan
e a baleia indefinível em algum lugar por perto
algum lugar por certo que não se pode ver pela janela
(tiros ao longe, tiros dos jornais de amanhã)
a solidão da plenitude...
Nada poderia ser diferente no dia
na minha vida
no mundo
ou no universo
pelo bem desta canção.
(Fabio Rocha)
(Este poema interrompeu o belo, louco e longo filme "Não estou lá", sobre Bob Dylan, passando agora no Telecine Cult.)
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
SONHOS DE VOAR
Chove.
É tarde
ou talvez cedo:
a verdade
é o medo
da morte.
O que arde
no canto
das asas
abertas
atônitas
despreparadas
para a solidão do céu.
O fundo
do abismo
é o mundo.
Sonhar em voar
e cair
e morrer
a toda hora
morrer um segundo
morrer a criança
que sonha e não voa
é triste.
(Fabio Rocha)
É tarde
ou talvez cedo:
a verdade
é o medo
da morte.
O que arde
no canto
das asas
abertas
atônitas
despreparadas
para a solidão do céu.
O fundo
do abismo
é o mundo.
Sonhar em voar
e cair
e morrer
a toda hora
morrer um segundo
morrer a criança
que sonha e não voa
é triste.
(Fabio Rocha)
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
OSTRA
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