quarta-feira, 15 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

CANSAÇO DE AÇO


no fundo do abismo
escombros te cobrem
do pó ao pó
voltarás
voltou
revoltou
voou breve

agora fundamentas olhos curvos
sobre horizontes de giz

asas brotadas das costas do silêncio
no centro íntimo do nada

e mesmo assim
mesmo leves e imaginárias
se derretem em lágrimas
sob a constância do sol

(Fabio Rocha)

DEFINIÇÃO

o poema pereniza provisórios

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

FAZENDA DE AÇO


sempre que penso
"isso não posso"
vou lá e faço

(Fabio Rocha)

AMOR VERDE


de(s)fruto
o sumo
e o corte

folha forte pela sede
sobre a mesma raiz
da morte

(Fabio Rocha)

LARAMELIZANDO AMAR_ELA

namoro lara
apesar dos rockeiros
(ela não sabe)

namoro lara
apesar da distância

namorar lara
é de vital importância:

mora em mim em fome
um amar de infância
despreocupado de nomes
que lhe guarda o lanche
do recreio
em nome do coração vermelho
pintado ao lado
da palavra larissa

(laríssima laramelo)

sábado, 11 de setembro de 2010

CHEIRO DE PERFEIÇÃO


me perder
entre o cabelo o vermelho o fogo
e o pescoço longo
longo
tão deliciosamente longo
que toca meu sonho mais alto

(Fabio Rocha)

LARA LARANJA


da primeira vez que vi lara na câmera
a voz sumiu
e as dores passaram

tudo estranhamente simples
e um medo danado

lara mora longe
mas tão perto ainda agora...

a laranjeira da casa de minha infância não socorreu
em absolutamente nada

nunca me pareceu tão fácil fazer um poema digitado
quando as palavras empacaram na boca embasbacada
e minha câmera me deixou quadrado

pele branca de lara
fala
ouvido delira
lara ao vivo sem lira

- liguei um rádio

(sou tímido e tenho 12 anos)

os olhos dela
com a mesma calma triste
com a mesma profundidade clara

- falei do tempo

todo o meu treino abismado:
ela! Ela! Lara! Isso! Larissa!

Abismo.

- me fingi ocupado

apesar do despreparo
deliciosamente lá existe
move e fala, essa Lara raríssima

- falei do falar, que estranho

- pedi um tempo

(tudo tão rápido e desplanejado!)

ESC ESC ESC

desliguei o rádio
reiniciei o computador
tranquei a porta
corri
bebi água
respirei fundo
contei os dedos
escovei os dentes
voltei voando...

lara saiu
foi-se embora
ver um filme

(Fabio Rocha)

MAR ÍNTIMA

todas as cores
flores várias se abrindo
vagos perfumes

eu ar

e o mar
onde ela
se molha

o encontro
é onda
vento e água
cabelo e curvas
cheiro e sentimento

(Fabio Rocha)

RUÍNAS DO SOL

arruinar o sol no plexo
despedaçar o nexo
despencar do máximo
sonhar não mais sonhar

é preciso lirismo
precioso abismo
fogueira de facas
arder
escombro, pó, cinza
pro vermelho renascer

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

MUNDO DÁ VOLTAS

voltei
meu braço esquerdo voltou
minha poesia

vou voltar
valsar na rua
a lua aquecendo em leão
volver

sem meditação
nem medicação
não sem mate

(não se mate, Carlos)

não se meta
com a boca sonhando doce grito:
- Liberdade!

porcelanas em pele
me chamam em chamas
quente voltarei
vermelho sangue

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ATRAVÉS DA MULHER

"Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema."

(Cora Coralina)

um passarinho na gaiola
me pensa

a borboleta distraída
por estar distraída
sabe a sabedoria das árvores

sem finais felizes sem lagartas sempre no instante

verde

um riacho me ri
(é raso, Heráclito)

através da mulher
o Ser me brilha tal qual a nona de Beethoven
(confesso fatigado, entre Osho, Raul, Manoel e trocentos desloucos que me soul)

é que através do viés
da curva no tato
me perco em mim, em eu, em tão pouco
que desfaço meu iluminar tão tênue

cresce no peito
a palavra
Minha

combato a sagrada luta de espadas
contra o eu
e mais ainda
contra a unha
da palavra única Minha
só Minha

a palavra Minha
é mínima
e restringe o todo a uma

o todo é um
mas é mais que só
é mais que a soma de tudo
é mais que matemática e contrato

as pessoas são pessoas são pessoas são pessoas são pessoas

no fogo
meu eu se desfaz em musgos e liquens
cada vez que respiro fundo e calo a boca de palavras tais quais essa
cada vez que salto e vôo e vou e Caio

eis que no instante mágico
em que destropecei sem medo de tropeçar
fui sem pensar em ir
boiei em vez de nadar
todas as floras da primavera me abrem
ergo mares íntimos e Netuno molhado se espanta
escrevo dragões com lápis cego
arrisco tudo
tenho epifanias com roseiras
aceito rosa e espinho
ouço a nona
e finjo fingir ser o último mestre do ar

você consegue
neste mundo de peso
vir comigo voar?

(Fabio Rocha)



OBS: Não agüentei os sete dias sem fazer poemas. Nem foi um exercício consciente de contradição... ;)



OBS 2: Quem me fotografou foi Fátima Nascimento, em Atafona, São João da Barra, Rio de Janeiro, onde o mar e o devir vencem o homem e sua mania de perenidade desde os anos 70:





OBS3: Leia se for ciumento. :)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010