terça-feira, 30 de outubro de 2012

rosa

o amor nunca é como você esperava
o amor espera
o amor atrasa
mas está lá…

você foi treinado
desde a mais tenra infância
a matar o amor:

já jogou granada
deu tiro de UZI
AR-15
hadouken
metralhada
CONTROL ALT DEL
mas o amor rebootava

o amor insiste
inesperado, único
e não há como se proteger
de sua rosa

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

manhã de vento

a tecnologia que leva ao céu
afasta do eu:

sob a terra
aterrador inconsciente
maior que a Terra

(ainda distante)

aterramos vontades
verdades
sólidas influências...

voamos e-números
túmulos de nós mesmos
seguimos sem nós
nem liberdades

sem saltos
ou sobressaltos
batemos ponto
entre o céu e a terra

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

deforma

o que tem forma é falso.
o que te forma, prende.
aprende: solta.

(Fabio Rocha)

sábado, 6 de outubro de 2012

minha vida é insônia e um ônibus engarrafado

uso óculos escuros
na noite alta

estrelas

pianos

mortos me assustam vivos

respiração descompassada
entre os passos do passado
e os furos do futuro

toco a realidade
através de um véu amarelo
de racionalidade:

não sinto nada
além de falta

(Fabio Rocha)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

apartamento

meia-noite e ogro

o cara de cima
vê a Globo
e tosse:

plim plim – cof cof

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ar

O vento é largo
no céu sem prédios.

Procuramos remédios
pra doenças que nem há.

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

da falta de paixão

nenhuma aventura a contar
e alimentar de risos quentes
meus dias de ar…

no silêncio e só comigo
persigo o ato consciente
de não perseguir nada.

dure o corte de uma espada
um domingo
ou uma vida meditada…

sou apenas
a palavra que apela:
um poema, pelamordedeus
uma estrada…

(Fabio Rocha)

domingo, 16 de setembro de 2012

para Rebeca

o poema nasce
da fome de sentido

- meditaste, menino?

o poema infindo
lindo de ser e não sendo
somos nós sorrindo e sofrendo
na vida que vamos
(exatamente)
vivendo

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

pedAços de um que não fiZ

ADIO O poema que não me dorme
Desejo pousar a mão enorme
Na pele mais proibida
Que vejo
Percevejo a paz de ser cego
e em Santa CRUzzzzzzz CHOve
*
palavras e águas
escorrem
em muros brancos velhos meio tortos
limo da infância que não há
pomba branca
madrugada escura
não HÁ cura
perco poemas na rua
*
medito e não medito
do meio disso o interdito
interestadual ônibus feira depois
que nunca chega
*
adio há dias
meses
vidas
*
MAIÚSCULA voz que não digo
tudo de que não saio
saia que não depende de mim
no entanto
olhos que vêem
fora do agora
só agonia
ANESTESIO um poema
que me anestesia
*
pensamento acelerado por
dormir pouco pra curtir a vida
dormir mal sobre a omoplata vencida
dormir torto pra melhorar a coluna
procurar motivos por dormir mal
e sonhar com ela beijando outro
*
o pólipo do poliamor é benigno
deve ser cortado sem risco
calculado sem anestesias
vivido em fuga
fugido em vida
correndo, correndo
atrás de um rabo
ou um cargo
ou um míssil que exploda esta bosta toda
que CALO

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

aspartame

nem o amargo do aspargo
nem o doce do açúcar:

queremos tomar veneno
e emagrecer saudáveis

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

o meu amor lê Carta Capital
cá bem debaixo da omoplata esquerda

às vezes sonhamos
às vezes tememos
o final
dobrando a esquina das certezas…

mas seguimos
rindo
todas as forças da natureza

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

placa ao poeta na jaula

favor não alimentar
as
ilusões

(Fabio Rocha)

faróis

se olhos vêm na direção contrária
de encontro direto ao coração
brilhando milagre abissal
freio de mão:
desvio ao real
que todo encanto padrão
tem pressa de passar
(e mal)

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

ontem fiz yoga (ou sobre o nadar em vez de boiar)

hoje vou fazer meu poema mais longo

porque o vento induz falésias que nunca vi
e eu, cheio de falhas
escondendo as facas de mim mesmo
não deixo meu canto ser luz

na beira do abismo há o mar
mar de sonhos
os pais por perto em água
tento entender, tocar, fotografar
e não alcanço
nem no oceano
um estado molhado de ser.
nem vou alcançar
enquanto tentar alcançar.
nem vou alcançar, talvez, nunca…

(enquanto isso, fotografo meu sorriso mais falso)

tento de novo

sonho de novo

tonto de novo

os silêncios
contaminando de escuridão
a luz da vela derretida

medito com minha risada
e ouvindo a minha manca risada
antes de abrir os olhos
pareço um filme de terror

o sol lá fora virá

medito falando sem sentido
e logo me acostumo
a falar sem sentido
com hora marcada
duração premeditada
e a meditação vira um método
um hábito
um costume
um saco

medito tentando não buscar nada
não ser nada
não pensar nada
e já estou novamente tentando
medito para me contentar com o que é
mas isso nunca dura mais que uns 100 poemas sem poesia
(quase auto-ajuda doentia)
porque a poesia vive mesmo é quando você solta ela pelo mato
como um cão babando sem plumas nem travas
um cavalo com asas e coices
um passarinho emudecido
cinco sentidos sem sentido perdidos numa mulher…

enquanto isso,
seguro,
gasto os dias numa jaula quadrada
dentro de outra jaula quadrada
lendo um livro quadrado
que ensina técnicas de ser quadrado
e plano para daqui a cinco anos
(quando poderei soltar meu grito e não fazer nada longe de todos)
longe de quase todos

pois carinho é curvo e risco
e o verbo acarinhar
me liga ao impossível por um tempo
então gozo milagres
e é bom
e acaba

(talvez este não seja meu poema mais longo)

(Fabio Rocha)