terça-feira, 27 de março de 2007

CISMA

musa dengosa
exorciza
minha paz
minha casa de meus pais
para que eu possa
caos
para que eu possa
mais

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 21 de março de 2007

sexta-feira, 16 de março de 2007

CONS-TATO

Sabe essa falta
dentro do peito
na madrugada?

Essa que Drummond
chamou de ausência
e tirou pra dançar?

Eu não sei dançar com ela.

(Então aperto-a
sinto-a plenamente entre minhas mãos
e deixo sair
o pó de palavras
quente e azul.)

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 5 de março de 2007

IRON MAIDEN

por trás das máscaras de ferro
que carregamos todos sobre os ternos
(uniformes sorrisos eternos)
há os sapatos de renome
pretos como a noite dos pobres morrendo de fome

pobres de que não falamos
caminhando firmes
sobre o inferno

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 2 de março de 2007

quinta-feira, 1 de março de 2007

SONO

entre a noite e o dia
há um momento exato e plano
onde dormem os sonhos

(Fabio Rocha)

MEDITAÇÃO

De fora pra dentro:
um plano
um desejo
uma dor
um triângulo
um amor
uma música
um poema
silêncio.

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

PONTAL

Pedra antes de tudo pedra
quantos infinitos
oceanos silenciosos
cheios de carinhos, algas e ostras
passaram sob ti?

E esse céu
pintado de auroras marginais
com sangue e vento
ornado de agora
desde sempre?

(Cresce verde em teus velhos musgos
e a noite vem enganar a todos
com a mudança)

(Fabio Rocha)

POEMA CORRETO

Antes
era possível olhar o céu noturno
e imaginar...

Hoje
achamos que sabemos:


1 - científicos métodos classificatórios de astros por grandeza energética medida por instrumentos;

2 - distâncias calculáveis considerando-se a relatividade do espaço-tempo das partículas-onda quando em velocidades próximas à da luz;

3 - substantivos indicativos de conjunto decorados na infância uniforme para falar bonito;

4 - muitos outros números naturais que poderiam ser ordenados em ordem crescente neste poema longo, tendendo a mais infinito...


E, calmos, nos achamos mais certos. E mais sábios...

(Fabio Rocha)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

ALEXANDRINO

Às vezes
quero escrever um romance
escalar um monte
perder cinco quilos
conhecer mais gente
iniciar uma jornada qualquer
sem medo...

Às vezes
filosofo que cada passo
é o que mais importa...

Às vezes
lendo quem me lê
penso que já cheguei.

(Fabio Rocha)

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"Não é no conhecimento, mas sim na criação que está a nossa salvação! Na aparência suprema, na emoção mais nobre, encontra-se a nossa grandeza! Se o universo em nada nos diz respeito, queremos então ter o direito de o desprezar."

Nietzsche, Das Philosophenbunch (theoretiscestudien), S 84

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

COMO?

Antiofídica, a vida
ansiolítica
mamelucamente molda
da madeira o concreto
nos bairros que sobem do mato
e as pessoas que correm do fato
de não

(Fabio Rocha)

ANTIGO TEMA

Antes de tudo,
tudo.

E o passo
mais forte
e despreocupado.

Antes,
tudo eu.

E passo a passo
mais eu ainda
a cada passo.

Mesmo que passe
tudo.

Mesmo que nunca
se chegue
a nada...

Dentro em mim
(fundo, fundo mesmo)
algo não meu:
uma estrela.

(Fabio Rocha)

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"Nada mais fatal do que a moderação. Basta é tão mau como uma refeição modesta. Demasiado é bom como um festim."

Oscar Wilde, trecho da personagem Lord Henry, do livro "O Retrato de Dorian Grey" (Os grandes clássicos, Otto Pierre editores, 1979, p. 274)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

DIFICULDADES IMPEDITIVAS

Ia
onde queria
mais.

Ia
onde queria
paz?

Ia
onde queria
mas...

(Fabio Rocha)

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"A vida é uma questão de nervos, de fibras, de células, que lentamente se criaram e onde reside o pensamento e onde a paixão esconde os seus sonhos. Julgamo-nos fortes, julgamo-nos protegidos. mas basta um nada, uma nuance na cor de um quarto ou de um céu matinal, um perfume que em tempos amamos e que, por um sutil mecanismo, faz reviver em nós, bruscamente, determinados versos de um poema que julgávamos esquecido; um acorde, recordando-nos uma peça de música que cessáramos de tocar... Sim, Dorian, afirmo-lhe, é disso que a nossa vida depende."

Oscar Wilde - Trecho da personagem Lord Henry, do livro "O Retrato de Dorian Grey" (Os grandes clássicos, Otto Pierre editores, 1979, p. 329)

domingo, 18 de fevereiro de 2007

EM MOVIMENTO

por meus caminhos de busca
achei o que tenho procurado:
o paraíso de andar

(Fabio Rocha)